MAIS OBJETIVIDADE, POR FAVOR

Nos últimos tempos, tenho ouvido com uma freqüência desconcertante: “precisa ser mais objetiva”. Não que essa característica existente (eu a confesso e me ponho no paredão de artilharia – que drama!) seja alguma novidade pra mim, não é. Mas que anda mais latente, ah, isso sim. Caso contrário, não estaria ouvindo tantos conselhos repetidos no conteúdo e vindos de bocas diversas.

A abordagem muda. Alguns são mais jeitosos ao sinalizar, já outros vão no jeitão mesmo: sem vírgulas, parênteses e qualquer outra pausa para fôlego. Mas a idéia permanece concentrada sempre em volta da objetividade. E eu continuo concordando: preciso ser mais objetiva. Objetiva! Até me perguntar como chegar a tal. Se para alguns o difícil é o floreio, o detalhar e pormenorizar as situações, pra mim, difícil é dizer o que precisa ser dito assim, na lata. Tá, mas e aí, digo o há de ser dito com todas as letras e ponto, terminou. Cadê a graça, onde tá o colorido da história?

Quando se trata do terreno amoroso então, a objetividade fica embaixo do cobertor, medrosa, tapada até os olhos, e demora a dar as caras - quando dá, é claro. E até onde meu entendimento alcança, essa é uma característica bastante presente nas mulheres – o que indica que continuo uma mulherzinha. Se um fulano chega até nós e não temos certeza se topamos ou não topamos tudo (ou quase tudo) por - dinheiro, amor, sexo, diversão – devido ao nosso estado de espírito não muito bom no fatídico dia, ou por já termos outra pessoa em nossa vida, ou por pura dúvida - dessas cruéis, que batem nas horas mais inapropriadas, podemos até não dizer para o cara aquele ‘sim’ que faz correr pro abraço. Mas também evitamos o ‘não’ até porque amanhã, vá saber. Falta objetividade.

E faltando objetividade, mais enroladas ficamos. As emoções vão tomando conta e ficam cada vez mais inexatas. É incrível, mas mulher não tem habilidades em ser emocionalmente objetiva. E as que conseguem desconheço até então. E uma vez sabida a resposta, barbadinha saber lidar com as situações vindouras no escarpo campo do amor. Mas eu havia falado de emoções inexatas. Se mal sabemos o que sentimos como sermos objetivas nesta área? Alguns sentimentos são até mais fáceis de identificar e compreender. Mas deixa ver se eu entendi bem, para que não restem dúvidas: o amor ama, o ódio odeia, mas e a insegurança e a saudade fazem o quê?

Se alguém souber como tudo isso funciona, por favor, me aponte a resposta, porque meu lado masculino (lê-se objetivo) tá surdo, mudo, cego e burro. Querer que sejamos emocionalmente objetivas é como pedir para que pensemos com o coração, sendo que esse coração que pensa foi feito pra sentir.

Encontrar a resposta não é simples. Às vezes é mais fácil deixar as coisas como estão. Não mexer muito. Pensar menos ainda. Sentir quase nada. Mas acontece que sentimos tanto! Acho que é por isso que, nós mulheres, ainda ficamos um pouco presas à idéia de sexo sem compromisso. Como a não dar pra desvincular o corpo das coisas que o coração sente. E mesmo tentando deixar de lado o tudo que se sente, acabaríamos não estando completas. Seríamos pela metade. E sinceridade: estar com alguém por inteiro é muito mais gostoso.

As pessoas nos pedem objetividade. E o mundo por desapego. Ah, mas eu sou tão apegada aos detalhes das coisas que sinto, que nem me importo de continuar inexata e nada objetiva pelo resto dos meus dias.

7 comentários:

  1. e eu às vezes me achão tão objetiva, ainda mais ultimamente!

    Beijos

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  2. Acho que isso tb é uma questão de fase...tenho fases mto sonhadoras e outras objetivas até demais. To na fase direta mesmo, falo o que penso, mas geralmente não como penso...dou uma amenizada, mas falo "na lata" o que preciso dizer. Sem enrolação, sem nada. Concordo com vc que qdo a gente não consegue se decidir, entender, saber o q quer, fica mto difícil ser objetiva...tb tenho disso algumas vezes. Qto ao sexo sem amor, só por diversão, de vez em qdo é bom, mas prefiro mesmo estar 100% com alguém, corpo, alma e coração. O resto tenho dispensado no momento...rs
    Bjos, ótima semana pra ti!

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  3. Fala Cronista! rs

    Legal os teus textos, olha eu te enviei um "Meme" da só uma olhada lá no meu blog no post Medo.
    Teu blog foi um dois indicados por mim...

    Abraços do Dan!

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  4. Gabi, minha linda... acho tão chato esse negócio de ter que ser objetivo! É tão melhor deixar algumas coisas subentendidas, para que sejam descobertas aos poucos... Objetividade é praticidade, e as emoções não são nada práticas. Objetividade é simplificação, e o ser humano é complexo demais para ser resumido ao que quer que seja.

    Continue, portanto, cativa de suas "inexatidões", pois elas são o reflexo da sua sensibilidade.

    Beijos!

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  5. Puxa! Infelizmente ou felizmente(...ainda não decidi) me formarei jornalista em menos de 2 meses....na faculdade, no trabalho, nas relações e relacionamentos .... tudo o que reverberam por aí é minha falta de objetividade.
    O ser prolixo me persegue em tudo e até na poesia. O problema é: poesia não é prolixa, não?!
    Bom, veremos meu progresso e percurso ou nenhum dos dois....rs
    E mais: Além de nada objetiva, vivo em dúvida constante e permanente....OH! CÉUS. Sobre a rosa...não sei se gosto dela. Ela apareceu, me disse meia dúzia de palavras e foi embora. Não sei se quero o retorno dela.
    Abraços virtuais!

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  6. Esses pedidos de objetividades são machos, rapá!Eu, "mulherzinha" assumida...entendi "objetivamente" tudo o que vc disse agora! Não só entendi como lembrei de várias cossitas...Rs...
    E quanto ao clipe...Lindo! Lindo! Lindo!
    Beijos!

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  7. Olá companheira publicitária, também faço parte do grupo dos "não tão objetivos", mas mesmo assim conseguimos ser finalistas do concurso volta ao mundo, esse tipo de gente não é de se jogar fora, hehehehe..

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Obrigada pelo seu comentário.

 
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