A Generosidade do Amor



Para Cínthya Verri

Eu não desprezo mais o meu passado. Aprendi a perdoar minhas falhas – embora o constante desafio. Não que eu me goste por completo, mas consigo observar a mim com um olhar mais carinhoso e ter empatia pela minha própria história. Mesmo que seja torta, imperfeita, impensável, mas é tudo o que tenho e eis a minha realidade. Olhar meus olhos no espelho não é mais tão duro porque não é afronta, é apenas a pergunta “como você está hoje?”

Descobri na prática que posso criar novos jeitos de seguir em frente. A criatividade sempre esteve dentro de mim embora tenha precisado de ajuda para despertá-la. Desconfiava que ela me salvaria, sabia sem saber - você entende. Foi preciso a delicadeza de uma mão amiga para despertar. Assim como uma mãe adentra pé ante pé o quarto escuro para gentilmente acordar um filho. E Cínthya tem mãos delicadas.

Certa vez, ela confidenciou em tom de segredo: tudo bem ter ou não fé em Deus, contanto que jamais perca a fé em ti. Eu ri e quase me achei deus, embora soubesse mais ou menos o meu lugar. Os tropeços vão nos ajudando a desfazer da arrogância que construímos para nos proteger do que não tem escapatória. Ninguém sai ileso da vida. Melhor acordar todo dia com isso na cabeça do que não ter contato com a realidade. Todos que estão lendo estas palavras agora serão pegos de surpresa, mas não desavisados.

E eu só divido isto com vocês porque aprendi que o amor é generoso. Aprendi a gostar de verdade. Por mim e para mim. E sei que ela também sopra em tom de segredo esta frase na boca do ouvido de outros tantos. O amor não é ciumento.

Eu já quis ser Cínthya Verri. Eu já desejei fazer coisas apenas para orgulhá-la - como quem sinaliza “estou aprendendo com você porque também estou disposta a isso.” Hoje eu só quero ser o melhor que posso. A Gabriela Gomes, que também é Flôres (assim à moda antiga), que escreve para soltar a corda do pescoço, que aprendeu a rir das suas sombras e fazer arte com isso. Sem sobrepor a si, nem a ninguém. Hoje, converso comigo de igual para igual, sem verticalização hierárquica. Às vezes me escapa e eu observo. É inconstante e improviso direto - igual a vida.

Sei que não sou a única. As pessoas gostam e sacam logo de cara quem gosta de si. Quem se respeita e assume quem é. Quer dizer, gostam quando são bem resolvidas – e isso não é um autoelogio. É apenas se entregar e saber apreciar, torcer e vibrar pelo outro e com o outro.

Eu não posso falar por eles, mas respondo por mim. E sem pedir qualquer perdão pelo trocadilho, para a Cin eu sempre direi sim! Já que compactuamos da opinião de que viver é uma árdua e fodida batalha diária (ela sabe que gosto de usar palavrões – e tem coisas que só podem ser ditas com palavrões), vamos convidar nossas crianças interiores para a festa.

Feliz aniversário, minha querida amiga! Que sorte, que coincidência, que alegria ter te encontrado para, enfim, me encontrar. Obrigada por fazer com que eu me sinta tão bem acompanhada.

Com amor,

Gabi.

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